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Aerodinâmica
É a parte da mecânica que estuda os movimentos e interações
de corpos fluidos. Está intimamente ligada ao estudo dos desenhos de aeronaves,
navios, carros, antenas, pontes, etc. afim de melhorar seus desempenhos
e segurança.
O
vôo
O vôo de
uma aeronave é para muitos um mistério. Como pode um avião
se manter lá no alto, com todo aquele peso, se o motor só
faz força empurrando o avião para a frente?
Bom, para começar temos que acreditar que não há
nenhuma mágica, e que para que ele se mantenha no ar, deve haver
uma força, ou um somatório de forças que anulam
a força peso e que permaneçam equilibradas enquanto a
aeronave está em voo nivelado.
As quatro forças principais que atuam em uma aeronave durante
o voo nivelado são:
Primeiro
é preciso ter tração. É a força que "puxa" o
avião na direção da decolagem. O movimento da aeronave
no ar cria a força de sustentação nas asas, que vai se opor a
gravidade representada pela força peso, e que quando for maior que este,
o avião sobe. O arrasto é a força que se opõe à tração e é causada
pelo resistência do ar.
As forças
peso, tração e arrasto são fáceis de se
entender. Porém a sustentação é aquela que
causa mais controvérsia. Devido ao fato de que os mecanismos
que envolvem sustentação são muito complexos, existem
diversas teorias, derivadas de cálculos e principalmente experimentos,
destinadas a determinar esta força, mesmo sem conseguir explicar
completamente o fenômeno, conseguem determinar as forças
envolvidas com muita exatidão.
Em suma,
um avião voa pois a interação asa-ar, cria uma
força que empura a aeronave para cima. Este fenômeno já
foi explicado de várias formas. inclusive aquela que é
comumente ilustrada em livros didáticos, onde mostra que o ar
passa com mais velocidade na parte de cima e mais devagar na parte de
baixo e a diferênça de pressões "chupa"
o avião para cima. Esta não é toda a verdade. O
fato é que existem outros fenômenos envolvidos. Uma das
teorias mais aceitas hoje em dia deriva da teoria da circulação,
onde durante as interações da asa e o ar, devido aos efeitos
provocados pelas diferênças de pressão, aparecem
vórtices que induzem ao ar velocidades descendentes, e pelas
leis de conservação de energia, o avião é
empurrado para cima (velocidade ascendente).
Para compreender
as figuras abaixo, imagine que cada seta (Ou vetor, como dizemos) representa
a direção do ar se movimentando naquele local, e quanto
maior for a seta, maior é velocidade com que ele se movimenta.
Os pontos representam, obviamente, ar parado.
Para entender o conceito de vetores que iremos ver daqui para a frente,
tente visualizar o exemplo:
Ao percorrer uma placa de madeira, por exemplo, pelo ar, as moléculas
vão se chocando na façe frontal. O efeito destes choques
se propaga nessa velocidade em todas as direções alterando as velocidades
das partículas já antes que sejam atingidas pela placa, . Estas moléculas
se acumulam na face dianteira aumentando aí o número de moléculas e
de choques, e em conseqüência a pressão, de modo especial no centro,
onde ocorre o maior acúmulo.

Visualize a figura acima testando: um aquário com algum pó
boiando na superfície. Passe uma placa ou a mão perpendicularmente
pela superfície da água e você verá o padrão
da figura acima se repetir.
Do centro
da placa, as partículas se deslocam lateralmente escapando pelas bordas,
e aquelas que adquirirão a velocidade da placa, são como que "arrastadas"
por ela, e passam a acompanhar a face traseira, mantendo assim sobre
esta, inalterados tanto o número de moléculas como a pressão. Na fronteira
da região contendo as partículas "arrastadas" e o fluxo externo formam-se
redemoinhos (ou vórtices). Esta força que sentimos se opondo ao movimento,
e é chamada de arrasto de pressão, e decorre portanto, apenas do aumento
de pressão em sua face dianteira.A este arrasto também se soma
o arrasto de fricção devido a viscosidade natural do ar,
que literalmente cola à superfície.
Se a mesma
coisa fizermos com uma placa inclinada como uma asa, veremos que as
direções do deslocamento do ar (velocidade relativa das
moléculas) formam desenhos circulares em torno da asa. Esta é
a chamada "circulação". Veja que as velocidades
induzidas na parte frontal da asa (bordo de ataque) apontam para cima.
Isto provoca um desvio do fluxo de ar conhecido como "upwash"
e corespondentemente no bordo de fuga forma-se o "Downwash".

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O
padrão final do escoamento, aquilo que veremos, resulta da união
de dois fenômenos que coexistem nas superfícies aerodinâmicas
que geram sustentação. Em [a] pode-se ver o comportamento
conhecido como circulação (figura anterior). Em [b] está
como seria o escoamento do ar desconsiderando a circulação.
Mas note que no bordo de fuga o fluxo muda rapidamente de direção,
teoricamente teria que atingir velocidade infinita neste ponto, algo impossível,
e por uma características dos fluidos, denominada efeito Coanda,
estes tendem a acompanhar curvaturas suaves, e não pontiagudas
como o bordo de fuga, logo é uma incoerência, não
devendo ser assim que ocorre. E realmente não é. O fluxo
se desprende da superfície aerodinamica próximo ao vértice
do bordo de fuga, onde o deixa suave e tangencialmente. Devido ao efeito
da circulação, o escoamento assume a forma vista em [C].
O ar que chega na asa pelo bordo de ataque, incidindo ligeiramente para
cima é o "upwash" e analogamente no bordo de fuga, o
"downwash" que é acelerado para baixo e será importante
para a sustentação.
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Visualizações
em 3D:
As figuras
que mostramos até agora pressupõem somente o perfil da asa,
tal como se a asa fosse infinitamente comprida, sem extremidades, ou seja,
não sabemos o que ocorre como um todo numa asa que tem uma envergadura
definida, uma ponta.
Como a pressão
no extradorso da asa é menor que no intradorso, o ar tende a fluir
da parte de baixo da asa para a parte de cima. Este efeito ocorre com
mais intensidade na ponta da asa, formando um turbilhonamento, chamado
de vórtice de ponta de asa.

Este turbilhonamento
na ponta da asa (na verdade ocorre na asa inteira) é tão
mais forte quanto maior for a sustentação, logo, aeronaves
pesadas geram vórices violentíssimos, tanto que é
por isso o motivo da separação mínima de 2 minutos
entre as aeronaves de carreira. Um vortice destes pode fazer o piloto
do avião que vem atrás perder o controle. Este rotacional
é responsável também pelo arrasto induzido, que nada
mais é que a energia retirada do movimento do avião sendo
usada para fazer girar esta grande massa de ar. (veja a condensação
da turbina se enrolando em função do vórtice de ponta
de asa na bela foto abaixo)
 
Este efeito
do vótice de ponta de asa, e consequentemente o arrasto induzido,
podem ser minimizados com a adoção de asas com extremidades
afiladas, com "winglets", ou com a adoção de asas
longas e estreitas, como a dos planadores. O formato em planta da asa
também pode contribuir para a redução do arrasto
induzido. As asas elípticas, como a do Spitfire são as ideais
em redução deste efeito, porém são de difícil
construção, portanto os fabricantes tentam fazer uma aproximação
com as asas de formato trapezoidal, como as do Tucano da esquadrilha da
fumaça.
Imaginando
que a aeronave vem em nossa direção, o movimento do ar perturbado
pela asa logo após a passagem da aeronave é mostrado na
figura abaixo.

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Veja
que as "componentes verticais das velocidades" apontam para
baixo em toda a região que a aeronave já deixou para trás.
É o downwash já comentado. Agora podemos fazer uma análise:
Se minha aeronave conseguiu induzir uma velocidade para baixo em uma grande
massa de ar, pelas leis de conservação da quantidade de
movimento, esta aeronave também deve estar sendo empurrada para
cima por alguma força exercida por todo aquele ar. Esta força
é a sustentação
Tal como em um furacão, o centro do vórtice possui muito
baixa pressão e pode ocorrer a condensação do vapor
d'agua. Lembre-se que aquele fio que pode ser observado, como na foto
abaixo, indica só o "miolinho" do vórtice.

Continua>>>>>
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